magalu
uol

Saiba quais casos investigados pela PF no RJ que j√° foram citados por Bolsonaro

Superintendência Regional apura uso de laranjas pelo PSL do RJ, o assassinato de Marielle, a evolu√ß√£o patrimonial de Fl√°vio Bolsonaro e a tentativa de troca de comando [...]

Por Redação em 06/05/2020 às 16:39:58
Superintendência Regional apura uso de laranjas pelo PSL do RJ, o assassinato de Marielle, a evolu√ß√£o patrimonial de Fl√°vio Bolsonaro e a tentativa de troca de comando no Porto de Itaguaí. Dire√ß√£o-geral confirmou T√°cio Muzzi no comando da PF fluminense. O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rolando de Souza, escolheu nesta quarta-feira (6) T√°cio Muzzi para o comando da Superintendência Regional do Rio de Janeiro. O ent√£o superintendente, Carlos Henrique Oliveira, assumiu a Dire√ß√£o Executiva da PF.

A troca ocorre um dia depois de vir à tona o depoimento de Sergio Moro à própria PF, prestado no último s√°bado (2).

T√°cio Muzzi, novo superintendente regional da Polícia Federal (PF) no Rio

Reprodução/TV Globo

O ex-juiz e agora ex-ministro da Justi√ßa e da Seguran√ßa afirmou que o presidente da República, Jair Bolsonaro, estaria tentando interferir politicamente na institui√ß√£o – e a se√ß√£o fluminense era interesse direto do presidente, segundo Moro.

"A mensagem tinha, mais ou menos, o seguinte teor: 'Moro, você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro'", diz relatório sobre o depoimento do ex-ministro.

"O RJ é meu estado", retrucou Bolsonaro.

Pelo menos quatro inquéritos abertos pela PF no RJ desde 2019 foram alvo de coment√°rios de Bolsonaro nos últimos meses:

Supostos laranjas do PSL fluminense

O porteiro do Caso Marielle

Patrimônio de Fl√°vio Bolsonaro

A Receita e o Porto de Itaguaí

Veja, a seguir, detalhes de cada um – e o que disse Bolsonaro sobre eles.

1. Laranjas do PSL fluminense

Sobre o que trata: irregularidades na campanha do Partido Social Liberal (PSL), sigla que levou o presidente ao poder. A Superintendência Regional investigava o caixa do PSL fluminense.

O que disse Bolsonaro: "Pelo que eu sei até o momento h√° um exagero no inquérito. Vamos aguardar o desenrolar do processo. Em primeiro lugar sou eu, Bolsonaro, querem me rotular como corrupto ou como dono de laranjal" ('10 de outubro de 2019, em live, aos 18 minutos)

JN: Prestação de contas de candidatos do PSL teve ação de laranjas

Detalhes do processo

Em junho de 2019, o Jornal Nacional mostrou pessoas usadas como laranjas para simular doa√ß√Ķes de dinheiro e de presta√ß√£o de servi√ßos, movimentando dinheiro de origem desconhecida no caixa do partido no Rio de Janeiro, ent√£o presidido pelo filho do presidente, o senador Fl√°vio Bolsonaro.

A investiga√ß√£o foi aberta na PF quase um mês depois de a Justi√ßa Eleitoral ter determinado a apura√ß√£o, no dia 24 de setembro de 2019.

O promotor que pediu a abertura do inquérito disse ter constatado "a existência de indício de eventual pr√°tica do crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral", que trata de falsidade ideológica e Caixa 2.

O senador Fl√°vio Bolsonaro

Mateus Bonomi/Agif/Estad√£o Conteúdo

Em outros segmentos da investiga√ß√£o, a PF chegou a prender Mateus Von Rondon, assessor especial do ministro do Turismo, Marcelo √Ālvaro Antônio.

Os dois principais nomes do governo de Bolsonaro que foram atrelados ao esquema s√£o o do ministro do Turismo, Marcelo √Ālvaro Antônio, e o do ex-ministro da Secretaria-geral da Presidência, Gustavo Bebianno -- que morreu de infarto em mar√ßo.

O presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar, também é alvo de investiga√ß√Ķes.

Em novembro, Bolsonaro anunciou a saída do PSL e a funda√ß√£o de um partido -- o Alian√ßa pelo Brasil. A nova sigla ainda n√£o foi oficializada.

Os "laranjas" flagrados pelo JN deveriam ter sido chamados para prestar depoimento. Como o caso corre em sigilo, até agora n√£o se sabe qual foi o avan√ßo do trabalho policial no Rio de Janeiro.

2. O porteiro do Caso Marielle

Sobre o que trata: A denúncia de um vigia sobre a movimenta√ß√£o, no dia do atentado, no condomínio onde a família Bolsonaro tem casas.

O que disse Bolsonaro: "Eu fui acusado de tentar matar a Marielle. Você quer algo mais grave que isso? N√£o interessa quem seja. Acusado de um assassinato. Um presidente da República acusado de um assassinato. A Polícia Federal tinha que investigar. Por que n√£o investigou com profundidade?" (5 de maio)

Caso Marielle: suspeito entrou em condomínio alegando ir à casa de Bolsonaro, diz porteiro

Detalhes do processo

O atentado est√° sendo investigado pela Polícia Civil do RJ, que afirma ter encontrado os assassinos – os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. Os dois est√£o presos na Penitenci√°ria Federal de Porto Velho (RO).

A PF, porém, entrou no caso depois que o Jornal Nacional trouxe o depoimento de um porteiro do Vivendas da Barra, condomínio onde Jair e Carlos têm casas e onde morava Ronnie Lessa.

Esse porteiro afirmou – e depois desmentiu – que no dia do homicídio anotou o número da casa do presidente como suposto destino de Élcio.

O vigia chegou a confirmar essa vers√£o em, pelo menos, dois depoimentos, gravados em vídeo, à Polícia Civil do Rio.

Condomínio Vivendas da Barra, no Rio, onde suspeitos da morte de Marielle Franco se encontraram

T√Ęnia Rêgo/Agência Brasil

Naqueles depoimentos iniciais, o porteiro disse ainda que ligou para a casa 58 duas vezes e que a autoriza√ß√£o para a entrada de Élcio no condomínio veio de alguém cuja voz, segundo ele, era a do "Seu Jair".

O Jornal Nacional também mostrou desde a primeira reportagem que, naquele dia, Jair Bolsonaro estava em Brasília e registrou presen√ßa em vota√ß√Ķes no plen√°rio da C√Ęmara.

A Polícia Civil do RJ afirma que Ronnie e Élcio saíram da Barra no fim da tarde para matar Marielle.

Após movimenta√ß√£o de Moro e da Procuradoria Geral da República, a PF do Rio abriu um inquérito em que usou como um dos argumentos o artigo 26, da lei 7.170, que trata de calúnia ou difama√ß√£o do presidente da República.

Semanas depois, vazou para a imprensa a informação de que o porteiro teria mudado de versão Рalegando ter se enganado, tanto na anotação, como nos dois depoimentos anteriores.

O inquérito est√° em andamento na PF e sob sigilo decretado pela Justi√ßa Federal.

3. Patrimônio de Fl√°vio Bolsonaro

Sobre o que trata: o suposto enriquecimento ilícito do hoje senador, em especial no ramo imobili√°rio. A evolu√ß√£o patrimonial de Fl√°vio e as supostas "rachadinhas" também s√£o investigadas pelo MPRJ.

O que disse Bolsonaro: "Quem est√° feliz por essa exposi√ß√£o absurda na mídia? Alguém est√° feliz. Agora, se eu n√£o tiver a cabe√ßa no lugar, eu alopro" (21 de dezembro). O presidente se referira especificamente às a√ß√Ķes do MP fluminense – e n√£o da PF. "O processo est√° em segredo de Justi√ßa? Te respondo: est√°, né? Quem é que julga: é o MP ou o juiz? Os caras vazam e julgam? Paciência, pô. Qual é a inten√ß√£o? Estardalha√ßo enorme. Ser√° porque falta materialidade para ele e equivale ao desgaste agora? Quem est√° feliz por essa exposi√ß√£o absurda na mídia?"

MP-RJ diz que Fl√°vio Bolsonaro lavava dinheiro de loja de chocolate

Detalhes do processo

Tanto o MPRJ quanto a PF investigam a evolu√ß√£o patrimonial do senador, a partir de indícios da época em que era deputado estadual.

Na PF, o caso foi aberto após um advogado reunir reportagens que apontavam uma carreira de sucesso de Fl√°vio como empreendedor imobili√°rio.

No dia 22 de março de 2015, Flávio inaugurou uma loja da franquia Kopenhagen, no Shopping Via Parque, na Barra da Tijuca.

Reprodução

No Ministério Público, o foco é a suspeita da pr√°tica da rachadinha – quando assessores s√£o contratados sob a premissa de devolver parte do sal√°rio.

O MP tomou como base para os trabalhos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), como informes de depósitos e saques.

Foi esse relatório que revelou as opera√ß√Ķes suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Fl√°vio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), envolvendo até a primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro.

Os promotores respons√°veis pelo caso j√° conseguiram quebrar o sigilo dos investigados e mapear um suposto esquema de lavagem de dinheiro do ent√£o deputado estadual, que arrecadaria, por fora, dinheiro vindo do sal√°rio dos servidores do gabinete e aplicaria em uma loja de chocolate como, também, em opera√ß√Ķes imobili√°rias suspeitas.

Coaf cita pagamento de título banc√°rio de R$ 1 milh√£o em relatório sobre Fl√°vio Bolsonaro

Reprodução/JN

A defesa de Fl√°vio tinha entrado, até a publica√ß√£o desta reportagem, com nove recursos desde o início do processo para tentar paralisar as investiga√ß√Ķes. Todos foram negados.

O G1 apurou que o delegado da PF respons√°vel pela apura√ß√£o encerrou o inquérito em fevereiro e encaminhou para a Justi√ßa Eleitoral. Até agora, n√£o se sabe qual foi o teor dessa conclus√£o da PF.

4. A Receita e o Porto de Itaguaí

Sobre o que trata: denúncias de corrup√ß√£o na Aduana do Porto de Itaguaí, cuja diretoria esteve na mira do presidente

O que disse Bolsonaro: "A Receita Federal tem problemas. Faz um bom trabalho? Faz, mas tem problemas e devemos resolver esses problemas. Como? Trocando gente. O estado todo está aparelhado, todo, sem exceção" (21 de agosto de 2019)

Auditores protestam contra o que consideram tentativa de interferência política na Receita

Detalhes do processo

Uma equipe de auditores é investigada pela PF por supostamente ter recebido propinas para afrouxar a fiscaliza√ß√£o no Porto de Itaguaí.

H√° suspeitas de que o entreposto, cercado por comunidades dominadas por milícias, seja usado para importa√ß√£o de armas de guerra para milicianos – as opera√ß√Ķes ilegais seriam feitas até em alto-mar.

O quadro mudou quando o auditor José Alex de Oliveira assumiu a Aduana de Itaguaí, em 2018. Sob sua gest√£o, a Receita chegou a R$ 1 bilh√£o em mercadorias ilegais apreendidas.

Porto de Itaguaí tem R$ 1 bilh√£o em mercadorias irregulares apreendidas pela Receita Federal desde 2018

Reprodução/TV Globo

Em 2019, porém, o presidente Jair Bolsonaro defendeu uma substitui√ß√£o nos quadros da Receita Federal – uma das trocas seria em Itaguaí.

Em agosto, auditores fiscais fizeram manifesta√ß√Ķes em v√°rias cidades contra o que consideram uma tentativa de interferência política no órg√£o.

O presidente recuou e deixou José Alex Oliveita no cargo – ele ocupa a fun√ß√£o até hoje.

Um inquérito sigiloso foi aberto na Polícia Federal para apurar a conduta dessas pessoas. Até agora, n√£o se conhecem resultados.

Fonte: G1

magalu 2

Coment√°rios

magalu 3