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Educação

LIFT DETOX

Escola da rede estadual luta contra o desperdício de alimentos dentro e fora da sala de aula

Instituto de Educação do Paran√° Professor Erasmo Pilotto est√° incentivando alunos a se engajarem no projeto "Prato Limpo". Na pr√°tica, a ação une conscientização e ensino, consistindo em uma s√©rie de tarefas ap√≥s as refeições.

Por Mauricio Santos 14/11/2022 às 10:52:02

"Projeto Prato Limpo" é exemplo de mudança de hábitos no Instituto de Educação do Paraná - Foto: Lucas Fermin/SEED-PR

A professora de Ci√™ncias, Roseli Rodrigues da Silva, criou no Instituto de Educação do Paran√° Professor Erasmo Pilotto um projeto contra o desperdício de alimentos. Desde de muito pequena ensinada pela mãe a não jogar fora comida, ela decidiu fazer algo para mudar o cen√°rio e os h√°bitos das crianças e adolescentes.

O nome é "Prato Limpo". Ele surgiu de uma brincadeira da docente com os estudantes de que eles precisavam deixar o "prato limpo". Roseli conta que tanto os alunos quanto a diretoria e coordenação deram força desde o começo do projeto, no início deste ano. E agora ele ganha cada vez mais força pedagógica.

"Eu comecei no sexto ano, mas a intenção é expandir para todos os alunos", afirmou. "Com o projeto j√° é possível ver uma mudança de comportamento e novos h√°bitos nos alunos".

Na pr√°tica, a ação une conscientização e ensino, consistindo em uma série de tarefas após as refeições: primeiro eles separam o resto da comida em duas lixeiras, uma para a casca de frutas e outra para os demais alimentos. O passo seguinte é a realização da pesagem, sob a supervisão do coordenador de Ci√™ncias da Natureza, Victor Eduardo Pauliv, respons√°vel por fazer a estatística para saber quantas pessoas seria possível de alimentar com o que foi desperdiçado, cruzando esses dados também com o card√°pio para verificar quais os principais alimentos "rejeitados" pelos alunos.

"É um dever nosso com o planeta. Só temos um, então é um dever de todos, crianças, jovens e adultos de zerar o desperdício", afirmou o coordenador.

Visando trazer mais engajamento para o projeto e relacionar com outras disciplinas, ele conta que conversou com professores de Matem√°tica para fazer atividades relacionadas com o projeto. Então foi proposto para os alunos a realização de gr√°ficos e planilhas para interpretar os dados na pr√°tica.

"Em conjunto com outro projeto, o Amigo dos Rios [da prefeitura de Curitiba], foi construída uma composteira para destinar essas cascas de frutas, e, no fundo do colégio tem uma mini-horta onde a intenção é usar essa matéria org√Ęnica como fertilizante. Estamos construindo um ciclo de aprendizado completo", diz Victor, sobre a expansão do projeto na escola.

RESULTADOS – O desperdício é atualizado diariamente e comparado com o valor do dia anterior. Pelos c√°lculos atuais, ele caiu de 15 quilos di√°rios no começo do ano para 7 a 10 quilos por dia nos últimos meses, o que j√° mostra uma evolução significativa.

A agente educacional Ana Paula Julião, respons√°vel pela coordenadoria do card√°pio escolar, afirma que ir à sala falar sobre como é escolhido o card√°pio foi muito importante nesse processo. Dessa forma ela conseguiu incentivar os alunos a ter consci√™ncia de que o desperdício causa impactos negativos e com a sua redução ser√° possível investir em mais alimentos.

"A gente prestou bastante atenção quando a professora falou do projeto, porque a escola se dedica muito para dar alimentação para nós e quando demos conta est√°vamos desperdiçando muito", contou a aluna Pietra Carolina, de 11 anos, que est√° engajada desde o primeiro dia na ideia.

Ela acredita que é muito importante que os alunos façam parte do projeto e ajudem, pois ter√° impacto no dia a dia dentro e fora do ambiente escolar.

O aluno Arthur Felipe da Costa também destaca a import√Ęncia do projeto. Ambos passaram em diversas salas nos últimos meses reforçando as atividades e incentivando os demais a contribuírem. "Muita gente passa fome e o desperdício era grande na escola", diz.

E o projeto não est√° impactando apenas a vida dos estudantes, mas também dos servidores e funcion√°rios da escola. Marcelo de Freitas, que trabalha na cozinha e na entrega da merenda, afirma que a parte mais interessante do projeto é a conscientização dos alunos. "Eles mesmo conseguem observar a necessidade e real valor da alimentação", completa.

SEGURANÇA ALIMENTAR – Para garantir que todos da rede estadual de ensino estejam bem alimentados independente da realidade de suas famílias, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed-PR) ampliou em meados de 2022 o programa Mais Merenda, no qual todos os alunos das mais de 2,1 mil escolas da rede estadual de ensino recebem tr√™s refeições por turno, acrescentando um lanche na entrada e outro na saída, além da refeição completa tradicional j√° oferecida no intervalo.

O lanche pode ser composto por pães, bolos, bolachas, ch√°s, sucos, achocolatados ou bebidas l√°cteas, além de frutas. Na merenda servida nos intervalos das aulas, os estudantes comem refeições completas, com arroz, feijão, carne, vegetais e outras opções.

Ao todo, o investimento na merenda escolar se multiplicou nos últimos anos, saindo de R$ 135 milhões em 2019 e deve ultrapassar os R$ 400 milhões no ano de 2022.

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