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Venenos de vespa e escorpi√£o podem auxiliar tratamento de tuberculose

Ana Paula Junqueira Kipnis, pesquisadoras da UFG - Ana Fortunato/Secom/UFG"N√£o tem como a bactéria montar um mecanismo de resistência", assinala Ana Paula [...]

Por Redação em 19/01/2020 às 23:10:43

Ana Paula Junqueira Kipnis, pesquisadoras da UFG - Ana Fortunato/Secom/UFG

"N√£o tem como a bactéria montar um mecanismo de resistência", assinala Ana Paula Junqueira Kipnis, coordenadora do projeto e professora do Instituto de Patologia e Medicina Tropical.

Segundo sua compara√ß√£o, os outros antibióticos "têm que entrar na bactéria, interferir com enzimas no metabolismo para conseguir mat√°-la. A bactéria, no entanto, cria mecanismos para impedir a a√ß√£o desses f√°rmacos, jogando a droga para fora ou produzindo enzimas que quebram o remédio."

A tuberculose é uma doen√ßa infecciosa, transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, que propaga pelo ar após fala, espirro ou tosse das pessoas infectadas, atingindo principalmente os pulm√Ķes. A forma de preven√ß√£o da tuberculose em crian√ßas é a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin). O tratamento em pessoas infectadas é feito com quatro f√°rmacos e observa√ß√£o direta. A vacina√ß√£o e o tratamento s√£o ofertados gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

"No Brasil, a doen√ßa é um sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A epidemia do HIV e a presen√ßa de bacilos resistentes tornam o cen√°rio ainda mais complexo. A cada ano, s√£o notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da tuberculose", informa o ministério, acrescentando que o risco de adoecimento é maior entre pessoas de rua, pessoas que vivem com HIV/Aids, presos e indígenas.

Superbactérias e patentes

Os cientistas da UFG também descobriram que as subst√Ęncias contidas no veneno da vespa servem para tratar pessoas infectadas com superbactérias, como aquelas adquiridas em unidades de terapia intensiva em hospitais. De acordo com Ana Paula Junqueira Kipnis, essa é a primeira vez no mundo que se faz pesquisa com o veneno de vespa para desenvolvimento desse tipo de f√°rmaco.

O eventual uso de novos f√°rmacos a partir das pesquisas da UFG pode demorar até uma década. Além do depósito de patentes para registro e publica√ß√£o dos resultados da pesquisa em revistas científicas, é preciso desenvolvimento de mais estudos que exigem parceria entre a universidade e empresas farmacêuticas. Antes de qualquer remédio poder ser utilizado em seres humanos, inclusive como teste, o medicamento deve ser submetido a testes clínicos exigidos pela Agência Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa).

Em geral, a produ√ß√£o de medicamentos é investimento que exige longo prazo. Afora os testes, a indústria farmacêutica precisa custear a síntese que produz o peptídeo microbiano em laboratórios com capacidade de fabrica√ß√£o em massa, para eventual comercializa√ß√£o. O laboratório que venha a se associar para a produ√ß√£o do medicamento dever√° fazer o respectivo registro para a venda.

Fonte: Agência Brasil

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