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Associa√ß√Ķes m√©dicas alertam para poss√≠vel interrup√ß√£o de transplante de medula em 2021 no Brasil

Por Redação em 22/12/2020 às 17:51:55

Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pedi√°trica (Sobope), Cl√°udio Galv√£o estima que 70% a 80% dos transplantes ser√£o negados sem o medicamento. "A droga tem 1.001 utilidades", disse.

O Ministério da Sa√ļde informou à reportagem que o Instituto Nacional de C√Ęncer (Inca) tem estoque de bussulfano suficiente para o primeiro trimestre de 2021. Também afirmou que o medicamento pode ser substitu√≠do e esse processo deve ser avaliado entre o médico e o paciente.

Para Galv√£o, porém, o bussulfano n√£o pode ser trocado em muitas situa√ß√Ķes. "Vai ser um cen√°rio de absoluto caos. Alguns pacientes n√£o v√£o ter droga para fazer transplante. S√£o medicamentos tradicionais, antigos, esquemas muito bem consolidados na literatura mundial."

Presidente da SBTMO, Nelson Hamerschlak afirma que, sem a droga, haver√° problema para realizar a maioria dos transplantes alog√™nicos, ou seja, quando as células s√£o recebidas de um doador. "Os substitutos n√£o s√£o ideais e aumentar√£o riscos e falhas", disse.

O ministério n√£o quis comentar a manifesta√ß√£o de entidades médicas. "Muito me espanta a condu√ß√£o que est√° sendo dada pelo Ministério da Sa√ļde. Completo descaso. Também a informa√ß√£o que a empresa nos fornece, acho que é desencontrada. N√£o consigo entender o que est√° acontecendo, porque n√£o querem mais fazer ou continuar com o produto", afirma Galv√£o. Segundo o médico, outros medicamentos usados em transplante t√™m faltado, por vezes, no mercado, mesmo registrados no Brasil.

Pirre Fabre x Anvisa

Apesar de ser detentora do registro na Anvisa do bussulfano, a Pierre Fabre n√£o é a fabricante do produto. O laboratório que produz a droga, segundo a Pierre Fabre, teve certifica√ß√Ķes negadas pela Anvisa. Por isso, o medicamento ter√° de ser retirado do mercado brasileiro, alega o laboratório franc√™s.

A ag√™ncia d√° outra vers√£o e afirma que a descontinuidade da distribui√ß√£o "em nada tem a ver com pend√™ncias regulatórias e est√° fora da governan√ßa da Anvisa". "O fornecimento era realizado pela Pierre Fabre. A quebra do fornecimento, na situa√ß√£o atual, n√£o est√° vinculada a nenhum pedido pendente na Anvisa, mas sim ao encerramento da licen√ßa comercial do produto à Pierre Fabre, segundo informado por ela própria", disse a autoridade sanit√°ria.

A Anvisa também disse que n√£o tem instrumento legal para impedir a retirada dos produtos, mas, "considerando a relev√Ęncia terap√™utica do medicamento", o órg√£o declara estudar a√ß√Ķes para evitar o desabastecimento. "Como, por exemplo, a possibilidade de via acelerada e priorit√°ria para novos registros, importa√ß√£o facilitada, entre outras a√ß√Ķes."

Em nota à comunidade médica, a Pierre Fabre declara que est√° trabalhando, inclusive com a Anvisa, para garantir a disponibilidade do Bussulfano mesmo após junho de 2021. "É importante destacar que: 1) a Pierre Fabre é a distribuidora do composto do qual a licen√ßa pertence ao laboratório Otsuka e; 2) A Otsuka subcontrata sua fabrica√ß√£o de um parceiro, que n√£o possui as aprova√ß√Ķes necess√°rias pela Anvisa. Até a presente data, a Otsuka e a Pierre Fabre ainda n√£o encontraram um fabricante alternativo adequado para o mercado brasileiro, mas continuam a buscar possibilidades."

Por ano, 3.805 interven√ß√Ķes

O bussulfano serve para tratamento prévio, ao destruir a medula óssea original do paciente e permitir que seja feito o transplante. Doen√ßas onco-hematológicas, como leucemias agudas, linfomas e mielomas s√£o beneficiadas com esses procedimentos. A Sociedade Brasileira de Oncologia Pedi√°trica (Sobope) e a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) afirmam que, em 2019, foram realizados 3.805 transplantes de medula óssea em adultos e 534 pedi√°tricos. Esse n√ļmero caiu em 2020 por causa da pandemia da covid-19. As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.

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