Funcionários de fábrica de fertilizantes em Araucária começam a ser demitidos pela Petrobras

Por Redação em 14/02/2020 às 14:56:12

Pelo menos 144 funcionários da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, já foram formalmente demitidos pela Petrobras.

De acordo com a estatal, 396 funcionários devem ser desligados até abril em um processo dividido em três etapas. A descontinuidade da empresa foi anunciada pela Petrobras em 14 de janeiro com a proposta de hibernação da unidade, já que uma sequência de prejuízos foi registrada e projeções negativas deixaram o negócio inviável. Em protesto contra a decisão da estatal, petroleiros em greve fazem desde o início do dia uma manifestação em frente à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), também Araucária.

Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná (Sindiquimica-PR), Caio Rocha, ao longo dessa semana funcionários da Fafen-PR foram comunicados das demissões.

A Fafen-PR é a única produtora de ureia no país, insumo básico para a produção de fertilizantes. Esse volume corresponde à cerca de 10% do que é consumido no país – outros 90% vêm de fora. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), com o fechamento da fábrica, 100% da ureia consumida no Brasil deve ser importada, o que deixaria o país dependente das flutuações do mercado externo. Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) apontam ainda que a descontinuidade da fábrica pode impactar em prejuízos da ordem de R$ 75 milhões anuais somente em Araucária.

Sobre as demissões, a Petrobras afirmou em nota que que oferecerá um pacote adicional de benefícios, que inclui um valor entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, de acordo com a remuneração e o tempo de trabalho e benefícios como manutenção de plano médico e odontológico. O fechamento da fábrica de fertilizantes também levanta discussões sobre os riscos ambientais. Em primeiro de fevereiro, mesmo dia em que a greve nacional começou, um incidente provocou o vazamento de amônia dentro da Fafen-PR. Por mais de 48 horas, os funcionários foram expostos a substância.

Para a procuradora do Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR), Cristiane Sbalqueiro, o incidente mostrou os perigos que a unidade pode trazer para a região, principalmente com o fechamento e a necessidade de esvaziamento da fábrica.

Por meio de nota, a Araucária Nitrogenados S/A (Ansa), responsável pela Fafen-PR afirmou que não houve qualquer vazamento, mas sim uma parada de uma caldeira da fábrica e de compressores do tanque de armazenamento de amônia, levando a um alívio controlado de amônia conforme o projeto do equipamento. E com isso, não há riscos para o rio Barigüi.

A empresa ainda disse que todos os produtos e insumos da fábrica serão devidamente destinados, cumprindo rigorosamente todas as exigências dos órgãos competentes.

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