magalu
uol
webhotel

Por que alguns profissionais de sa√ļde preferem esperar para se vacinar

Em certos hospitais da Alemanha, todo o pessoal já tomou a primeira dose. Ao mesmo tempo, uma enquete mostra que apenas 50% dos enfermeiros do país pretendem se vacinar.

Por Redação em 03/02/2021 às 14:14:34

Em certos hospitais da Alemanha, todo o pessoal j√° tomou a primeira dose. Ao mesmo tempo, uma enquete mostra que apenas 50% dos enfermeiros do país pretendem se vacinar. A DW investigou as raz√Ķes de tal resist√™ncia. O Hospital Bethel Berlim, no pacato sul da capital alem√£, é um estabelecimento de pequeno porte, bem longe da agita√ß√£o das grandes clínicas. Mas naturalmente a pandemia de covid-19 também chegou aqui com for√ßa total. Uma esta√ß√£o vazia foi remanejada como posto de vacina√ß√£o. O que falta até agora, como em muitas partes do país, é o imunizante.

Para o médico-chefe e encarregado de assuntos da pandemia Hans Weigeldt, o fato é um tanto frustrante: afinal, após longos meses de trabalho duro, a vacina era um raio de esperan√ßa, também necess√°rio para recuperar a psique dos trabalhadores da saúde.

O enfermeiro de tratamento intensivo Sebastian Schmidt é um dos que querem se vacinar t√£o logo possível: "No trabalho, eu encaro diariamente a morte por covid, olho no olho, e vejo como os pacientes sofrem, qu√£o gravemente doentes eles ficam por causa desse vírus, e quero de todo modo me vacinar contra isso."

N√£o se trata apenas de proteger a si, "mas também os meus familiares", prossegue Schmidt. "Sou um parente que trabalha no sistema de saúde. Ent√£o preciso, de qualquer forma, tomar cuidado especial, e acho que tenho um dever de previd√™ncia também em rela√ß√£o à popula√ß√£o."

Nem todos anseiam pela vacina

Caberia pensar que essa é atitude generalizada entre médicos e enfermeiros em rela√ß√£o à t√£o esperada vacina contra o Sars-Cov-2. Na realidade, porém, o quadro é bem mais diferenciado. Como mostra o posicionamento da enfermeira Vivien Kochmann, do Hospital Bethel Berlim.

H√° meses ela respeita meticulosamente as regras de distanciamento, usa m√°scara, lava as m√£os. Em especial na qualidade de m√£e de uma crian√ßa pequena, ela reduziu drasticamente os seus contatos. No tocante à vacina√ß√£o, contudo, n√£o faz quest√£o de "estar na cabe√ßa da fila", preferindo aguardar.

"Ainda encaro com muito cuidado e enorme respeito essa quest√£o, pois de alguma maneira ainda tenho um pouco de medo, porque a vacina n√£o est√° aí h√° tanto tempo que se possa dizer: "OK, agora estou cem por cento convencida." Sendo bem franca, tenho um pouco de receio. É o meu sentimento pessoal."

Isso n√£o significa que seja inimiga das vacinas em geral, é vacinada contra diversas enfermidades. Mas ela trabalha h√° tempo demais em hospitais para n√£o saber quanto normalmente demora até um imunizante estar realmente amadurecido. Kochmann torce para que, ao longo do ano, eles fiquem ainda melhores. E, acima de tudo, que se saiba mais sobre os possíveis riscos.

Metade dos enfermeiros prefere esperar

A julgar pelas pesquisas de opini√£o, esse ceticismo est√° longe de ser uma raridade entre o pessoal médico da Alemanha. Uma enquete realizada pela Sociedade Alem√£ de Medicina Interna Intensiva e de Emerg√™ncia (DGIIN) e pela Associa√ß√£o Interdisciplinar Alem√£ de Medicina Intensiva e Emergencial (Divi) em dezembro de 2020 indicou que apenas 73% dos médicos e pouco menos da metade dos enfermeiros pretendia tomar a vacina contra o coronavírus.

Isso, apesar de a grande maioria dos consultados afirmar que o imunizante é importante para conter a pandemia. Nesse ínterim, contudo, uma porta-voz da Divi declarou que as cifras de dezembro estariam superadas, e que desde o início das vacina√ß√Ķes se fez algum progresso.

Ainda assim, o presidente da Federa√ß√£o de Operadores Privados de Servi√ßos Sociais (BPA), Bernd Meurer, tra√ßa um quadro bastante moderado: "Temos desde estabelecimentos em que quase 100% dos funcion√°rios se vacinaram, até aqueles em que dois ter√ßos n√£o querem a vacina."

A declara√ß√£o coincide com dados divulgados pelo ministro alem√£o da Saúde, Jens Spahn, no princípio de janeiro: "em alguns lares para idosos, a quota de vacina√ß√£o entre os enfermeiros é de 80%, enquanto em outros ela é de apenas 20%."

Raz√Ķes variadas para retic√™ncia

No momento se debate intensamente os motivos desse ceticismo em rela√ß√£o aos imunizantes. O especialista parlamentar do Partido Social-Democrata (SPD) para assuntos de saúde, o epidemiologista Karl Lauterbach, sup√Ķe que na origem esteja a avalia√ß√£o de muitos médicos e enfermeiros de que, além de n√£o pertencerem ao grupo de risco, est√£o bem protegidos pelas vestimentas especiais.

Por sua vez, a enquete de dezembro da DGIIN e da Divi atribui a retic√™ncia antes ao medo de sintomas tardios e efeitos colaterais. Falando à DW, funcion√°rios de clínicas de Berlim contaram que algumas mulheres temem os riscos da vacina para uma futura gravidez.

O presidente da BPA Meurer aborda ainda um outro argumento: mesmo após a vacina√ß√£o, os cuidadores ter√£o que continuar usando m√°scara, portanto a medida atualmente n√£o representa um alívio para eles. E ainda n√£o est√° esclarecido se a vacina√ß√£o elimina o perigo de contagiar terceiros.

Pedindo para permanecer anônimo, um enfermeiro de uma clínica de Brandemburgo aborda esse último ponto. J√° tendo recebido a primeira dose, ele afirma que a droga fornecida pela firma alem√£ Biontech "n√£o impede uma infec√ß√£o com o coronavírus, só evita a eclos√£o da doen√ßa covid-19". Portanto, "posso imaginar que outros prefiram esperar por outras vacinas".

Em seu ambiente de trabalho, todos os colegas se vacinaram, j√° que "nos últimos meses, vimos com frequ√™ncia demasiada o estrago de que o vírus é capaz". Contudo ele menciona mais um fator: ao longo dos meses desde a eclos√£o da pandemia, muitos médicos e cuidadores j√° se contaminaram, sararam e desenvolveram anticorpos. Assim, por enquanto n√£o precisar√£o se vacinar.

Fonte: ISTO√Č Independente

Comunicar erro
magalu 2

Coment√°rios

magalu 3