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Especialistas não endossam críticas de Osmar Terra e Sergio Camargo ao isolamento para conter coronavírus

Osmar Terra e Sérgio Camargo usaram as redes sociais para se manifestar contra as medidas de isolamento e quarentena. Médicos ouvidos pelo G1 apontam [...]

Por Redação em 24/03/2020 às 21:57:38


Osmar Terra e Sérgio Camargo usaram as redes sociais para se manifestar contra as medidas de isolamento e quarentena. Médicos ouvidos pelo G1 apontam estratégia como a mais eficaz para conter transmissão. Especialistas ouvidos pelo G1 não endossam as afirmações do ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra, e do Presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que usaram o Twitter nesta segunda-feira (23) para criticar as medidas de isolamento e quarentena como forma de combater o novo coronavírus.

Osmar Terra, que é deputado federal e foi ministro da Cidadania até 18 de fevereiro, disse que "isolar a população é ineficaz, não reduz um doente" e que o "o foco são idosos e pessoas com doenças de baixa imunidade".

Já Camargo disse que o isolamento é a "maior imbecilidade da história da humanidade". "Confinaram 99% da população em casa para vencer um vírus que mata em torno de 1% dos infectados. O isolamento, exceto para os que são do grupo de risco, precisa ser imediatamente suspenso. É a maior imbecilidade da história da humanidade! Ao trabalho, brasileiros", disse o presidente da fundação. O presidente da Fundação Palmares apagou a publicação.

O médico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, disse que o isolamento social é recomendado para todas as pessoas.

"Essas pessoas que têm mais riscos precisam intensificar o isolamento, mas o distanciamento social, como nós chamamos, é para todas as pessoas. Com menos interação, diminuímos a taxa e a velocidade da transmissão", explicou Chebabo.

O superintendente médico do Hospital Santa Paula, Otavio Gebara, diz que o isolamento precisa ser feito em duas etapas.

"Primeiro, se faz um período de isolamento total da população, que dure de 15 a 30 dias no mínimo. Após esse período, em que quem se contaminou não transmite mais a doença e se corta a subida quase vertical da curva de infectados, pode-se manter o isolamento para os grupos de risco, para que a economia consiga rodar".

Brasil tem 46 mortes e 2.021 casos confirmados de coronavírus até esta terça-feira (24)

Rodrigo Sanches/G1

O médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e assessor da diretoria da SBI, Leonardo Weissmann, explica que todas as pessoas estão suscetíveis a se infectar. "Idosos e pessoas com baixa imunidade são consideradas de grupos de risco para desenvolver formas mais graves da doença, mas qualquer pessoa está suscetível a ter a infecção com o novo coronavírus."

Osmar Terra também disse que o número de novos casos por dia na Itália, país com o maior número de mortes pela Covid-19, está caindo pelo segundo dia consecutivo, mas que a queda dos casos "não tem relação com a quarentena". "E sim com padrão das epidemias virais que começam a cair em 6 semanas, pela elevação do número de contaminados. Veja na curva como explode número de contaminados após início da quarentena", disse.

A Itália voltou a registrar aumento do número de mortes nesta terça-feira (24), quando o país contabilizou 743 mortes em 24 horas, elevando o número de vítimas para 6.820.

O vice-presidente da SBI explica que os números cresceram rapidamente no país por que as medidas de quarentena e isolamento não foram tomadas no início da epidemia.

"A Itália tem uma situação diferente: ela começou a quarentena quando estavam no pico da doença, ela não detectou a fase que vivemos semana passada. Quando ela implementou a medida, foi tardiamente. A mortalidade não tem a ver com a medida. É o contrário, as medidas foram implementadas quando a mortalidade já estava alta", explicou Chebabo.

O médico explica que a duração padrão citada pelo ex-ministro para epidemias virais de fato é verificado em alguns casos, com ciclos que duram de seis a oito semanas, mas no caso específico do coronavírus, o sistema de saúde do Brasil não conseguiria comportar um pico natural da infecção.

"O que estamos tentando fazer é que o pico não seja tão alto. Se ele acontecer muito rápido, o nosso sistema de saúde não comporta internação e tratamento de todos os doentes", diz Gebara.

Leonardo Weissmann lembra que a epidemia se comportou de maneiras diferentes em vários países, como a Itália e na Coreia do Sul, que começou a epidemia como um dos quatro países com mais pessoas infectadas, mas conseguiu diminuir a transmissão e o número de mortos.

"É impossível afirmar quando o número de casos vai diminuir. Tudo depende do respeito das pessoas às orientações feitas. O número de casos pode aumentar em uma curva rápida e cair como observamos na Itália, ou pode acontecer o que houve na Coreia do Sul, onde a curva da doença foi mais achatada ao longo do tempo".

Guia de isolamento domiciliar por causa do novo coronavírus

Arte/G1

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Fonte: G1

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